Estão programadas cinco convenções internacionais do Global Sustainable Bioenergy Project (GSB). A terceira delas será no Brasil, entre os dias 23 e 25 de março, em São Paulo, na sede da Fapesp. O objetivo é compor uma espécie de painel global sobre sustentabilidade energética nos mesmos moldes dos já existentes painéis sobre mudanças climáticas e biodiversidade.
Idealizado e coordenado pelo norte-americano Lee Rybeck Lynd, pesquisador do Dartmouth College e pioneiro no estudo e utilização da biomassa para a produção energética, o GSB reúne cientistas do mundo todo, preocupados com o enorme desafio de obter energia renovável e relativamente limpa sem comprometer a produção de alimentos e com o mínimo de impacto sobre o meio ambiente.
Com base em estudos preliminares, Lynd e outros especialistas acreditam que a biomassa (como a da cana-de-açúcar e de outras espécies vegetais) poderá suprir 25% da demanda internacional de energia nos próximos 50 anos. (Envolverde)
quinta-feira, 18 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
Definição da matriz energética brasileira exige políticas públicas adequadas
O que falta para o Brasil definir sua matriz energética e consolidar a natureza limpa, renovável e diversificada das fontes utilizadas no país, são políticas públicas adequadas. A opinião é de um dos mais respeitados especialistas em energia do país, o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires. Em texto publicado em seu blog no dia 17/02/2009, Pires defende políticas que criem impostos sobre emissões e mercados de direito de emitir, imponha cotas de energias renováveis na geração elétrica e premie os consumidores mais eficientes e que utilizem energias renováveis.
De acordo com Pires, a crise econômica atual dá a chance de pensar a questão energética no Brasil de modo mais estrutural, e não conjuntural, com tem sido a prática usual dos governos. “Ao invés de pensar numa política de investimentos voltada para o estabelecimento de uma matriz energética sustentável, o governo anuncia o PDE-2017 e a Petrobras, a construção de quatro refinarias e o Comperj no Rio de Janeiro. Essas medidas são o atraso do atraso”, escreve Pires em seu blog.
O Brasil conta hoje com uma das matrizes mais limpas do planeta, com 46% de sua energia finda de fontes renováveis. Para o presidente da UNICA, Marcos Jank, políticas que incentivem o crescimento da porcentagem dos renováveis, como etanol, biomassa de cana-de-açúcar, biodiesel, energia eólica e solar, podem reduzir ainda mais as emissões de gases de efeito estufa.
“O Brasil tem tudo para se posicionar como líder nas discussões globais e cada vez mais intensas em torno das mudanças climáticas, pois é neste país que está o projeto mais bem sucedido do mundo para produção e utilização em escala comercial de um biocombustível – o etanol. Nosso projeto é um dos melhores exemplos do mundo de como efetivamente reduzir emissões, então nada mais justo do que definirmos com clareza, em nossa matriz energética, que é assim que o país deseja prosseguir”, afirma Jank.
Segundo Adriano Pires, o estímulo à produção e uso de energia limpa no Brasil pode ainda aumentar a segurança energética do País, ajudar no meio ambiente e gerar empregos. “É preciso que saibamos aproveitar nossa grande vantagem comparativa como produtores de energia renovável. Temos sol, terra e água em abundância, por isso podemos ser os maiores produtores de biocombustíveis”.
De acordo com Pires, a crise econômica atual dá a chance de pensar a questão energética no Brasil de modo mais estrutural, e não conjuntural, com tem sido a prática usual dos governos. “Ao invés de pensar numa política de investimentos voltada para o estabelecimento de uma matriz energética sustentável, o governo anuncia o PDE-2017 e a Petrobras, a construção de quatro refinarias e o Comperj no Rio de Janeiro. Essas medidas são o atraso do atraso”, escreve Pires em seu blog.
O Brasil conta hoje com uma das matrizes mais limpas do planeta, com 46% de sua energia finda de fontes renováveis. Para o presidente da UNICA, Marcos Jank, políticas que incentivem o crescimento da porcentagem dos renováveis, como etanol, biomassa de cana-de-açúcar, biodiesel, energia eólica e solar, podem reduzir ainda mais as emissões de gases de efeito estufa.
“O Brasil tem tudo para se posicionar como líder nas discussões globais e cada vez mais intensas em torno das mudanças climáticas, pois é neste país que está o projeto mais bem sucedido do mundo para produção e utilização em escala comercial de um biocombustível – o etanol. Nosso projeto é um dos melhores exemplos do mundo de como efetivamente reduzir emissões, então nada mais justo do que definirmos com clareza, em nossa matriz energética, que é assim que o país deseja prosseguir”, afirma Jank.
Segundo Adriano Pires, o estímulo à produção e uso de energia limpa no Brasil pode ainda aumentar a segurança energética do País, ajudar no meio ambiente e gerar empregos. “É preciso que saibamos aproveitar nossa grande vantagem comparativa como produtores de energia renovável. Temos sol, terra e água em abundância, por isso podemos ser os maiores produtores de biocombustíveis”.
Uma definição interessante de Sustentabilidade
Colocando em termos simples, a sustentabilidade é prover o melhor para as pessoas e para o ambiente tanto agora como para um futuro indefinido. Segundo o Relatório de Brundtland (1987), sustentabilidade é: "suprir as necessidades da geração presente sem afetar a habilidade das gerações futuras de suprir as suas".
O termo original foi "desenvolvimento sustentável," um termo adaptado pela Agenda 21, programa das Nações Unidas. Algumas pessoas hoje, referem-se ao termo "desenvolvimento sustentável" como um termo amplo pois implica desenvolvimento continuado, e insistem que ele deve ser reservado somente para as atividades de desenvolvimento. "Sustentabilidade", então, é hoje em dia usado como um termo amplo para todas as atividades humanas.
Na economia, crescimento sustentado refere-se a um ciclo de crescimento econômico real do valor da produção (descontada a inflação), sendo portanto relativamente constante e duradouro, assentado em bases consideradas estáveis e seguras.
Desenvolvimento econômico sustentável dito de outra maneira é aquele em que a renda real cresce pelo crescimento dos fatores produtivos reais da economia e não em termos nominais. Isso seria um crescimento insustentável porque se estaria apenas jogando dinheiro na economia gerando uma riqueza momentânea que os agentes econômicos ao notarem que não há em contrapartida produção equivalente a esse ganho de renda artificial ajustam seus preços o que causa por sua vez inflação.
A Gestão Sustentável é uma capacidade para dirigir o curso de uma empresa, comunidade, ou país, por vias que valorizam, recuperam todas as formas de capital, humano, natural e financeiro de modo a gerar valor ao Stakeholders (LUCRO). A Gestão de processos deve ser vista sempre como um processo evolutivo de trabalho e gestão e não somente como um projeto com inicio, meio e fim. Se não for conduzida com esta visão, a tendência de se tornar um modismo dentro da empresa ou do país e logo ser esquecida ao sinal de um primeiro tropeço é grande. Muitos esforços e investimentos têm sido gastos sem o retorno esperado.
Se pensarmos que 10% de tudo o que é extraído do planeta pela indústria (em peso) é que se torna produto útil e que o restante é resíduo, torna-se urgente uma Gestão Sustentável que nos leve a um consumo sustentável, é urgente minimizar a utilização de recursos naturais e materiais tóxicos. O Desenvolvimento Sustentável não é ambientalismo nem apenas ambiente, mas sim um processo de equilíbrio entre os aspectos econômicos, financeiros, ambientais e sociais.
O termo original foi "desenvolvimento sustentável," um termo adaptado pela Agenda 21, programa das Nações Unidas. Algumas pessoas hoje, referem-se ao termo "desenvolvimento sustentável" como um termo amplo pois implica desenvolvimento continuado, e insistem que ele deve ser reservado somente para as atividades de desenvolvimento. "Sustentabilidade", então, é hoje em dia usado como um termo amplo para todas as atividades humanas.
Na economia, crescimento sustentado refere-se a um ciclo de crescimento econômico real do valor da produção (descontada a inflação), sendo portanto relativamente constante e duradouro, assentado em bases consideradas estáveis e seguras.
Desenvolvimento econômico sustentável dito de outra maneira é aquele em que a renda real cresce pelo crescimento dos fatores produtivos reais da economia e não em termos nominais. Isso seria um crescimento insustentável porque se estaria apenas jogando dinheiro na economia gerando uma riqueza momentânea que os agentes econômicos ao notarem que não há em contrapartida produção equivalente a esse ganho de renda artificial ajustam seus preços o que causa por sua vez inflação.
A Gestão Sustentável é uma capacidade para dirigir o curso de uma empresa, comunidade, ou país, por vias que valorizam, recuperam todas as formas de capital, humano, natural e financeiro de modo a gerar valor ao Stakeholders (LUCRO). A Gestão de processos deve ser vista sempre como um processo evolutivo de trabalho e gestão e não somente como um projeto com inicio, meio e fim. Se não for conduzida com esta visão, a tendência de se tornar um modismo dentro da empresa ou do país e logo ser esquecida ao sinal de um primeiro tropeço é grande. Muitos esforços e investimentos têm sido gastos sem o retorno esperado.
Se pensarmos que 10% de tudo o que é extraído do planeta pela indústria (em peso) é que se torna produto útil e que o restante é resíduo, torna-se urgente uma Gestão Sustentável que nos leve a um consumo sustentável, é urgente minimizar a utilização de recursos naturais e materiais tóxicos. O Desenvolvimento Sustentável não é ambientalismo nem apenas ambiente, mas sim um processo de equilíbrio entre os aspectos econômicos, financeiros, ambientais e sociais.
De olho no lucro, pequeno investidor ignora apelo à sustentabilidade das empresas
Na hora de montar sua carteira de ações, o investidor minoritário, aquele que tem até R$ 200 mil para aplicar em ações, só pensa em uma coisa: lucro. Eles estão errados? Claro que não. Mas a BM&FBovespa tenta provar que é preciso colocar outra peso nesta balança: a sustentabilidade.Para isso, a Bolsa mantém há quase cinco anos o ISE, o Índice de Sustentabilidade Empresarial, que lista um total de até 40 empresas reconhecidamente engajadas com ações sustentáveis. O índice considera que essas empresas geram valor para o acionista no longo prazo, pois estão mais preparadas para enfrentar riscos econômicos, sociais e ambientais.
Essa demanda veio se fortalecendo ao longo do tempo no mercado internacional, e hoje é amplamente atendida por vários instrumentos financeiros. Por aqui, porém, o investimento não tem se mostrado tão atrativo quanto poderia.
“Por enquanto, poucos minoritários pensam em comprar ações de uma empresa sustentável. No máximo, eles querem saber se ela está no Novo Mercado”, diz o economista Clodoir Vieira, da corretora Souza Barros.
Vieira diz que há baixa procura por esse tipo de ação porque muitos desses investidores ainda são céticos. “Muita gente prefere ações da Sousa Cruz, por exemplo, porque quer empresas que cresçam, não importa como”, afirma.
O mesmo não acontece com os grandes investidores, como os fundos de pensão. Eles estão de olho, por exemplo, em como a companhia trata o meio ambiente. A Previ, fundo de previdência privada que pertence aos funcionários do Banco do Brasil, é um exemplo. “As ações de uma empresa que toma uma multa porque poluiu um rio podem 'desabar'. Se não estiver atento, um fundo grande como a Previ, que investe milhões de reais, pode perder muito dinheiro de uma hora para outra”, diz Vieira.
Para o diretor da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), Luiz Maia, investir em empresas com preocupação socioambiental tem mais uma vantagem. “Elas oferecem menos risco [econômico] do que uma empresa que não respeita o ambiente.”
Apesar da baixa procura, a direção da Bolsa acredita que uma hora este jogo vira. “Hoje os grandes investidores e os estrangeiros estão mais preocupados com a questão da sustentabilidade das empresas. Mas isso ainda vai chegar à pessoa física”, afirma a diretora de sustentabilidade da BM&FBovespa, Sonia Favaretto.
E, para isso, o melhor caminho talvez não seja o lucro. “O apelo para a adesão dos minoritários não precisa mais ser a lucratividade, porque as empresas sustentáveis já dão lucro. A atração tem de ser pelo tratamento que elas dão ao ambiente”, afirma Carolina Murphy, pesquisadora da Columbia University (EUA), onde fez mestrado em Desenvolvimento Econômico e Político.
Valorização
Mesmo em meio ao turbilhão da crise financeira mudial, a rentabilidade do ISE em 2009 foi de 66,4% em relação ao ano anterior. Já o Ibovespa subiu 82,6% no período. Desde que foi criado, no final de 2005, até julho de 2009, o índice havia acumulado valorização de 53,9%. No mesmo período, o Ibovespa registrou ganhos de 71,6%.
Perfil
De acordo com a Bolsa, o ISE é voltado para dois tipos de investidores. O primeiro é o pragmático, aquele que compra ações de empresas listadas em índices de sustentabilidade porque acredita que elas têm mais chances de permanecerem produtivas pelas próximas décadas e que sofrerão menos passivos judiciais.
O segundo é o engajado, que, por comprometimento pessoal, decide privilegiar as empresas que atuam com respeito a valores éticos, ambientais e sociais e não quer se envolver com empresas que poluem ou que têm problemas com direitos humanos.
Mudanças no ISE
A BM&FBovespa anunciou na sexta-feira (12/03/2010) mudanças na metodologia para a definição da próxima carteira teórica do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE).
O ISE é formado atualmente por um grupo de 34 empresas que tem como meta a responsabilidade social e preocupação com o ambiente. A carteira de ações é revista todos os anos. A que está em vigor até 30 de novembro reúne 43 ações. Os recursos não podem ser alavancados (investir em mercado futuro, com possibilidade de aumentar o retorno, com mais risco).
Entre as principais alterações, o convite para se candidatar ao índice passará a ser feito para as companhias detentoras das 200 ações mais líquidas da bolsa, não mais para as 150 mais negociadas, como anteriormente. Fora isso, o questionário que será enviado para as companhias contará com um grupo de questões envolvendo iniciativas relacionadas a mudanças climáticas.
Já a quarta mudança prevê que o conselho do ISE - composto por diversas entidades, incluindo a Bolsa - poderá dar, em casos extraordinários, uma explicação ao mercado sobre a retirada de alguma companhia da carteira.
Isso ajudará a evitar especulações, como ocorreu na saída da Petrobras do índice em 2008. Sem uma posição do conselho, a exclusão da estatal foi relacionada pelos agentes aos níveis de partículas de enxofre considerados elevados na produção de diesel.
A divulgação da nova carteira está prevista para 25 de novembro.
(Com informações do Valor Online)
terça-feira, 16 de março de 2010
O mundo é quente, plano e cheio
O país que conseguir criar uma energia limpa e barata liderará a próxima indústria global, diz Thomas Friedman
Por Época Negócios
Em 2005, o jornalista americano Thomas Friedman lançou uma obra que revelava como as novas tecnologias nivelaram o planeta e fizeram com que trabalhadores da China, da Índia e de outros emergentes passassem a competir em condições iguais com seus colegas dos países ricos. O best-seller O Mundo É Plano está até hoje na lista dos mais vendidos do The New York Times – jornal, aliás, no qual o autor trabalha. Em seu novo livro, Hot, Flat, and Crowded (“Quente, plano, e cheio”), ele aborda a economia global de uma nova perspectiva. O país que desenvolver uma energia limpa, barata e abundante comandará a próxima grande indústria global.
Friedman torce, é claro, para que os Estados Unidos assumam o desafio. Como chegar lá? “Nós precisamos de 100 mil pessoas em 100 mil garagens tentando 100 mil coisas diferentes”, afirma. Só assim poderão surgir cinco boas idéias, das quais uma ou duas serão capazes de criar um Google verde dos novos tempos. A bolha da energia só surgirá, na sua opinião, se o governo americano, as empresas e os consumidores se unirem nesse objetivo. De nada adiantará repetir a abordagem do Projeto Manhattan, que desenvolveu a bomba atômica durante a Segunda Guerra Mundial. “Doze pesquisadores em Los Alamos não conseguirão resolver o problema”, afirma. Uma iniciativa desse tipo obrigaria o país a se contentar com o “etanol de milho de Iowa”.
Apesar da lentidão demonstrada até agora, o pensamento de que os combustíveis são “baratos, perenes e inofensivos” foi substituído pela consciência de que são “caros, limitados e tóxicos” – uma mudança fundamental para enfrentar o problema. Ele reproduz uma frase do xeque Ahmed Zaki Yamani. “A Idade da Pedra não acabou porque o homem esgotou o estoque de pedras”, disse o ex-ministro saudita do petróleo. “Da mesma forma, a idade do petróleo não acabará por termos esgotado as reser-vas, mas sim pelo fato de as pessoas inventarem alternativas.”
Friedman lembra que a última inovação na produção de energia ocorreu há mais de 50 anos, com a criação das usinas nucleares. “Você sabe de alguma outra indústria nesse país cujo principal progresso ocorreu em 1955?” De acordo com o livro, no ano passado as companhias de ração para bichos de estimação investiram mais em pesquisas do que as geradoras americanas de energia.
O jornalista acredita que, se a abordagem dos Estados Unidos não mudar, a China acabará dando conta da tarefa, até porque é o país que mais precisa encontrar uma tecnologia para produzir energia limpa e barata. Friedman vê o surgimento de consciência ambiental naquele país asiático. Os chineses já conseguem ver o potencial econômico das soluções verdes, como prova o surgimento de companhias que exploram a energia eólica e solar. Apenas a tecnologia verde será capaz de enfrentar os cinco grandes problemas do planeta: a demanda de energia, a distribuição dessa energia para toda a população, o aquecimento global, a redução da biodiversidade e as ditaduras financiadas pelos petrodólares.
É preciso taxar carbono para ter economia verde
16/03/10 - O jornalista americano Thomas Friedman, um dos principais colunistas do "New York Times", afirma que os EUA podem "voltar aos trilhos" e recuperar sua liderança global com investimentos maciços em tecnologias de energia limpas, o que só será possível com uma estrutura tributária que preveja, por exemplo, taxação sobre o preço do carbono.
Essa é a ideia central de "Quente, Plano e Lotado" (ed. Objetiva, 605 págs.), que chega às livrarias brasileiras na quarta-feira, 24. O livro é um aprofundamento do best-seller "O Mundo é Plano" (ed. Objetiva), que desde 2005 vendeu 85 mil exemplares só no Brasil.
FOLHA - A ideia-chave de "Quente, Plano e Lotado" pode ser resumida na frase do presidente Barack Obama: "A nação que liderar a economia da energia limpa será a que irá liderar a economia global; e os EUA precisam ser essa nação". Que argumentos sustentam essa ideia?
THOMAS FRIEDMAN - Algumas pessoas não acreditam no "quente". Tudo bem, deixemos apenas o plano e o lotado. Plano é minha metáfora para mais e mais gente se juntando à classe média mundial e vivendo como americanos, quer estejam no Brasil, na Índia ou na China.
Lotado é porque há cada vez mais e mais pessoas. No mundo plano e lotado há cada vez mais gente com casas, carros e Big Macs do tamanho americano. É claro para mim que a próxima indústria global será a tecnologia energética (TE), que vai capacitar mais e mais gente a melhorar seu padrão de vida sem queimar e destruir o planeta. O país que detiver TE terá mais segurança energética, nacional e econômica, companhias inovadoras e respeito global. Claro, quero que esse país seja o meu, mas quero que todos aspirem a ser essa nação.
FOLHA - O sr. não crê em decisões tomadas em conferências globais.
FRIEDMAN - Exatamente. Alguém tem de me provar que funciona. Não sou contra o Protocolo de Kyoto ou o esforço de Copenhague, mas, se você conseguir fazer com que 193 países concordem, Deus te abençoe. Na falta disso, quero liberar meus inovadores e engenheiros para tentar o mesmo objetivo por meio da inovação.
FOLHA - O que deve ser feito para estimular esse tipo de iniciativa?
FRIEDMAN - Precisamos de políticas tributárias para incentivar, a longo prazo, a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologia limpa. Houve um pouco no pacote de estímulo, mas é necessário muito mais. É preciso uma política de preços para o carbono. Sem isso, nada acontecerá. Sou um crente no mercado. Uma taxação de longo prazo, fixa e durável, estimularia 10 mil inovadores verdes em 10 mil garagens, tentando 10 mil coisas. Mil serão promissoras, cem serão realmente legais, e duas, os próximos Google e Microsoft limpos, que nos darão o que precisamos: elétrons confiáveis, limpos, baratos.
FOLHA - Uma pesquisa do Instituto Gallup mostrou que há mais céticos do aquecimento global hoje do que em 1997. Em que o discurso das mudanças climáticas está falhando?
FRIEDMAN - Infelizmente, a combinação tóxica de "climagate" [divulgação de e-mails de climatólogos, revelando tentativa de negar informação a céticos do clima], "relativamente pequenos" erros no IPCC [acusado de ter cometido erros em relatório] e recessão -e o fato de as pessoas mais do que nunca quererem energia barata- permitiu aos negacionistas confundir as pessoas e poluir o debate. Quem não queria acreditar ganhou razões para isso. E cientistas, políticos e membros do governo fizeram mau trabalho defendendo o caso.
FOLHA - Em ano de eleição, é possível algo favorável no Congresso?
FRIEDMAN - No momento, a estratégia está mudando. Pessoalmente, creio que o projeto "cap-and-trade" [comércio de permissões para emitir CO2] esteja morto. Agora, os senadores John Kerry, Lindsey Graham e Joe Lieberman estão trabalhando numa estratégia baseada em três princípios. O primeiro: nunca use a palavra "clima". Fale sobre "limpar o ar". "Clima" se tornou uma palavra suja. Segundo: dizemos que estamos fazendo isso para criar empregos; energia solar, baterias, eficiência energética, tudo isso rende muito emprego. E, terceiro, dizemos que estamos fazendo isso por segurança nacional, para ficarmos menos dependentes do petróleo do Oriente Médio. Esse é o novo consenso bipartidário, democratas e republicanos. Mas, se haverá senadores o suficiente para isso, não sei.
Natália Paiva
Fonte: Folha de S. Paulo
Por Época Negócios
Em 2005, o jornalista americano Thomas Friedman lançou uma obra que revelava como as novas tecnologias nivelaram o planeta e fizeram com que trabalhadores da China, da Índia e de outros emergentes passassem a competir em condições iguais com seus colegas dos países ricos. O best-seller O Mundo É Plano está até hoje na lista dos mais vendidos do The New York Times – jornal, aliás, no qual o autor trabalha. Em seu novo livro, Hot, Flat, and Crowded (“Quente, plano, e cheio”), ele aborda a economia global de uma nova perspectiva. O país que desenvolver uma energia limpa, barata e abundante comandará a próxima grande indústria global.
Friedman torce, é claro, para que os Estados Unidos assumam o desafio. Como chegar lá? “Nós precisamos de 100 mil pessoas em 100 mil garagens tentando 100 mil coisas diferentes”, afirma. Só assim poderão surgir cinco boas idéias, das quais uma ou duas serão capazes de criar um Google verde dos novos tempos. A bolha da energia só surgirá, na sua opinião, se o governo americano, as empresas e os consumidores se unirem nesse objetivo. De nada adiantará repetir a abordagem do Projeto Manhattan, que desenvolveu a bomba atômica durante a Segunda Guerra Mundial. “Doze pesquisadores em Los Alamos não conseguirão resolver o problema”, afirma. Uma iniciativa desse tipo obrigaria o país a se contentar com o “etanol de milho de Iowa”.
Apesar da lentidão demonstrada até agora, o pensamento de que os combustíveis são “baratos, perenes e inofensivos” foi substituído pela consciência de que são “caros, limitados e tóxicos” – uma mudança fundamental para enfrentar o problema. Ele reproduz uma frase do xeque Ahmed Zaki Yamani. “A Idade da Pedra não acabou porque o homem esgotou o estoque de pedras”, disse o ex-ministro saudita do petróleo. “Da mesma forma, a idade do petróleo não acabará por termos esgotado as reser-vas, mas sim pelo fato de as pessoas inventarem alternativas.”
Friedman lembra que a última inovação na produção de energia ocorreu há mais de 50 anos, com a criação das usinas nucleares. “Você sabe de alguma outra indústria nesse país cujo principal progresso ocorreu em 1955?” De acordo com o livro, no ano passado as companhias de ração para bichos de estimação investiram mais em pesquisas do que as geradoras americanas de energia.
O jornalista acredita que, se a abordagem dos Estados Unidos não mudar, a China acabará dando conta da tarefa, até porque é o país que mais precisa encontrar uma tecnologia para produzir energia limpa e barata. Friedman vê o surgimento de consciência ambiental naquele país asiático. Os chineses já conseguem ver o potencial econômico das soluções verdes, como prova o surgimento de companhias que exploram a energia eólica e solar. Apenas a tecnologia verde será capaz de enfrentar os cinco grandes problemas do planeta: a demanda de energia, a distribuição dessa energia para toda a população, o aquecimento global, a redução da biodiversidade e as ditaduras financiadas pelos petrodólares.
É preciso taxar carbono para ter economia verde
16/03/10 - O jornalista americano Thomas Friedman, um dos principais colunistas do "New York Times", afirma que os EUA podem "voltar aos trilhos" e recuperar sua liderança global com investimentos maciços em tecnologias de energia limpas, o que só será possível com uma estrutura tributária que preveja, por exemplo, taxação sobre o preço do carbono.
Essa é a ideia central de "Quente, Plano e Lotado" (ed. Objetiva, 605 págs.), que chega às livrarias brasileiras na quarta-feira, 24. O livro é um aprofundamento do best-seller "O Mundo é Plano" (ed. Objetiva), que desde 2005 vendeu 85 mil exemplares só no Brasil.
FOLHA - A ideia-chave de "Quente, Plano e Lotado" pode ser resumida na frase do presidente Barack Obama: "A nação que liderar a economia da energia limpa será a que irá liderar a economia global; e os EUA precisam ser essa nação". Que argumentos sustentam essa ideia?
THOMAS FRIEDMAN - Algumas pessoas não acreditam no "quente". Tudo bem, deixemos apenas o plano e o lotado. Plano é minha metáfora para mais e mais gente se juntando à classe média mundial e vivendo como americanos, quer estejam no Brasil, na Índia ou na China.
Lotado é porque há cada vez mais e mais pessoas. No mundo plano e lotado há cada vez mais gente com casas, carros e Big Macs do tamanho americano. É claro para mim que a próxima indústria global será a tecnologia energética (TE), que vai capacitar mais e mais gente a melhorar seu padrão de vida sem queimar e destruir o planeta. O país que detiver TE terá mais segurança energética, nacional e econômica, companhias inovadoras e respeito global. Claro, quero que esse país seja o meu, mas quero que todos aspirem a ser essa nação.
FOLHA - O sr. não crê em decisões tomadas em conferências globais.
FRIEDMAN - Exatamente. Alguém tem de me provar que funciona. Não sou contra o Protocolo de Kyoto ou o esforço de Copenhague, mas, se você conseguir fazer com que 193 países concordem, Deus te abençoe. Na falta disso, quero liberar meus inovadores e engenheiros para tentar o mesmo objetivo por meio da inovação.
FOLHA - O que deve ser feito para estimular esse tipo de iniciativa?
FRIEDMAN - Precisamos de políticas tributárias para incentivar, a longo prazo, a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologia limpa. Houve um pouco no pacote de estímulo, mas é necessário muito mais. É preciso uma política de preços para o carbono. Sem isso, nada acontecerá. Sou um crente no mercado. Uma taxação de longo prazo, fixa e durável, estimularia 10 mil inovadores verdes em 10 mil garagens, tentando 10 mil coisas. Mil serão promissoras, cem serão realmente legais, e duas, os próximos Google e Microsoft limpos, que nos darão o que precisamos: elétrons confiáveis, limpos, baratos.
FOLHA - Uma pesquisa do Instituto Gallup mostrou que há mais céticos do aquecimento global hoje do que em 1997. Em que o discurso das mudanças climáticas está falhando?
FRIEDMAN - Infelizmente, a combinação tóxica de "climagate" [divulgação de e-mails de climatólogos, revelando tentativa de negar informação a céticos do clima], "relativamente pequenos" erros no IPCC [acusado de ter cometido erros em relatório] e recessão -e o fato de as pessoas mais do que nunca quererem energia barata- permitiu aos negacionistas confundir as pessoas e poluir o debate. Quem não queria acreditar ganhou razões para isso. E cientistas, políticos e membros do governo fizeram mau trabalho defendendo o caso.
FOLHA - Em ano de eleição, é possível algo favorável no Congresso?
FRIEDMAN - No momento, a estratégia está mudando. Pessoalmente, creio que o projeto "cap-and-trade" [comércio de permissões para emitir CO2] esteja morto. Agora, os senadores John Kerry, Lindsey Graham e Joe Lieberman estão trabalhando numa estratégia baseada em três princípios. O primeiro: nunca use a palavra "clima". Fale sobre "limpar o ar". "Clima" se tornou uma palavra suja. Segundo: dizemos que estamos fazendo isso para criar empregos; energia solar, baterias, eficiência energética, tudo isso rende muito emprego. E, terceiro, dizemos que estamos fazendo isso por segurança nacional, para ficarmos menos dependentes do petróleo do Oriente Médio. Esse é o novo consenso bipartidário, democratas e republicanos. Mas, se haverá senadores o suficiente para isso, não sei.
Natália Paiva
Fonte: Folha de S. Paulo
segunda-feira, 15 de março de 2010
Está chegando ao Brasil a ISO 26000
Está chegando ao país a ISO 26000. Formulada por mais de 400 especialistas de 100 países, incluindo o Brasil, a regulamentação cria parâmetros que permitirão ao cidadão validar e comparar quão socialmente responsável são as corporações. Estas, por sua vez, terão uma noção clara de como se comportar com responsabilidade.
Questões como práticas comerciais justas, proteção da saúde e da segurança do consumidor, consumo sustentável e acesso a serviços essenciais estão no núcleo da norma. O texto foi aprovado por mais de 80% dos participantes do grupo de trabalho, no último mês, e deve ser publicado até outubro.
Questões como práticas comerciais justas, proteção da saúde e da segurança do consumidor, consumo sustentável e acesso a serviços essenciais estão no núcleo da norma. O texto foi aprovado por mais de 80% dos participantes do grupo de trabalho, no último mês, e deve ser publicado até outubro.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Engenheiros da Unicamp criaram o primeiro conversor eletrônico brasileiro
Geradores alternativos: Unicamp cria conversor para ligar painéis solares à rede elétrica
Engenheiros da Unicamp criaram o primeiro conversor eletrônico brasileiro capaz de conectar painéis solares diretamente à rede elétrica, o que deverá inaugurar uma nova etapa no aproveitamento da energia solar no país.
O conversor eletrônico de potência trifásico tem um grau de eficiência de 85%. Os primeiros testes foram realizados entre dezembro e janeiro no Laboratório de Hidrogênio (LH2) da Unicamp, onde já funciona uma planta-piloto de geradores alternativos conectada à rede da CPFL Paulista.
De acordo com Ernesto Ruppert Filho, que desenvolveu o conversor juntamente com seu colega Marcelo Gradella Villalva, não se tem notícia até o momento de nenhum outro conversor eletrônico similar no Brasil.
Substituição de importações
O protótipo foi testado com êxito numa instalação de painéis solares com capacidade de 7,5 kW. "Este conversor substituiu plenamente, durante o período de testes, os três conversores eletrônicos monofásicos adquiridos da empresa alemã SMA, que estão atualmente ligados a esses painéis solares", afirmou o professor.
Diante dos resultados promissores, o próximo passo é buscar parceiros interessados na industrialização do conversor.
Ainda que o protótipo tenha consumido R$ 15 mil, os pesquisadores calculam que, em escala industrial de produção, o conversor poderá alcançar um custo final aproximado de R$ 10 mil.
"Existem alguns componentes que poderiam custar muito menos, caso já estivéssemos em escala industrial. Se compararmos o custo final de R$ 10 mil com o custo do conversor importado, isso significa uma redução de um terço. É realmente muito vantajoso nacionalizar essa tecnologia," assegurou o pesquisador.
Conversor de potência
Villalva explica que todas as fontes renováveis de energia necessitam de algum tipo de conversor eletrônico de potência para permitir o aproveitamento adequado da energia elétrica produzida.
Os painéis solares fotovoltaicos geram energia elétrica na forma de corrente contínua, diferente da rede elétrica, que possui corrente alternada. O papel do conversor é transformar a corrente da forma contínua para a alternada.
Não existem equipamentos nacionais com esta finalidade para uso com painéis fotovoltaicos, o que causa uma dependência de tecnologia importada, como é o caso dos conversores alemães instalados no LH2. "Por este motivo resolvemos desenvolver um equipamento nacional. Atingimos a eficiência de 85%, no entanto o objetivo agora é chegar aos 90% para alcançar a tecnologia alemã," diz Villalva.
Entraves para a energia solar
Além do elevado custo dos painéis solares fotovoltaicos, ainda não se criou no Brasil a cultura da geração distribuída de energia. "Isso não foi ainda devidamente regulamentado para pequenos produtores," afirma o pesquisador. Nos países mais avançados é possível ter em casa um painel solar e um conversor eletrônico gerando energia junto com a rede elétrica.
A tendência mundial aponta para o uso de geradores alternativos - sejam solares, a células de combustível ou mesmo biogás - em escala residencial. O eventual excesso de energia gerada, depois de suprida a demanda da própria residência, poderá ser comercializada com as concessionárias de energia.
O conversor agora fabricado na Unicamp oferece o suporte tecnológico para que essa realidade possa começar a ser construída no Brasil. "Se não tivermos um produto próprio com tecnologia nacional, vamos continuar importando dos Estados Unidos e da Alemanha. Portanto, o gargalo está na tecnologia cara dos painéis, na inexistência de um mercado que force o barateamento dessa tecnologia no país e, por último, a ausência de tecnologia nacional de conversores eletrônicos." garantiu Villalva.
Painéis solares já conectados à rede elétrica, instalados no Laboratório de Hidrogênio (LH2) da Unicamp.
Matriz energética limpa
Além disso, o pesquisador menciona a necessidade de uma política de incentivo às fontes alternativas de energia. Há diversos projetos de lei tramitando no Legislativo a esse respeito. Quando realmente aprovados, o Brasil terá condições de se tornar um país com uma matriz energética inteiramente à base de energia limpa.
"No estado atual, isso não existe. Existem pequenos projetos, porém isolados. Não há uma massificação da energia alternativa limpa e isso é uma coisa desejável porque dispomos de muito sol e vento", disse. A energia eólica no Brasil tampouco depende apenas do vento.
Em nível mundial, a líder em tecnologia na área de energia solar é a Alemanha, onde já estão instalados 6.500 MW de geração fotovoltaica, o que significa metade da energia produzida pela hidrelétrica de Itaipu. Com níveis de irradiação solar superiores aos da Alemanha, o Brasil ainda tem uma geração de energia solar praticamente desprezível em sua matriz energética.
O fato de ter energia hidráulica em abundância também tem contribuído muito para a falta de investimentos em usinas de geração solar e energia eólica. Em termos de meio ambiente, contudo, a energia solar é claramente superior. A hidroeletricidade, mesmo considerada limpa, inunda grandes áreas agricultáveis e tem forte impacto sobre as populações locais.
Geração distribuída de energia
Ruppert afirma que, na Europa e nos Estados Unidos, a utilização de geradores de energia elétrica conectados à rede secundária de distribuição por pequenos consumidores individuais já é uma realidade.
A tecnologia de pequenos conversores para painéis solares fotovoltaicos é amplamente empregada e divulgada nesses países. Consumidores são incentivados e subsidiados por agências governamentais para a instalação de sistemas de geração residenciais conectados à rede elétrica.
Painéis solares e conversores eletrônicos para a conexão com a rede são produtos facilmente encontrados no comércio e acessíveis ao grande público nos países desenvolvidos.
Além das vantagens para o usuário, que passa a gerar sua própria energia, módulos fotovoltaicos com pequenos conversores eletrônicos de potência descentralizam o processamento da energia, diminuem custos e reduzem o risco de todo o sistema elétrico.
Integração dos painéis solares nos edifícios
Pequenos conjuntos de geradores fotovoltaicos podem ser instalados em qualquer ambiente em que haja incidência de raios solares, sem demandar áreas específicas, podendo ocupar telhados ou paredes.
"A integração dos painéis solares com a arquitetura predial é hoje uma prática comum e que rende bons resultados estéticos, ambientais e econômicos, pela energia elétrica gerada e pela redução dos custos de construção. Os módulos fotovoltaicos podem ser utilizados como elementos de acabamento arquitetônico, tornando seu uso ainda mais interessante", disse Ruppert.
Esses módulos podem ser instalados em quaisquer tipos de construções, como residências, condomínios, escolas, creches, hospitais e outros locais públicos, uma vez que não há grandes restrições de espaço para instalação e não há emissão de ruídos, resíduos, ou qualquer tipo de poluição.
No caso brasileiro, o professor aponta que o melhor aproveitamento da energia solar depende basicamente de dois fatores. Primeiro, da regulamentação e da atitude do governo para abraçar a geração fotovoltaica. E, segundo, do interesse da iniciativa privada em fazer os investimentos.
Fonte: Jornal da Unicamp - 10/03/2010
Engenheiros da Unicamp criaram o primeiro conversor eletrônico brasileiro capaz de conectar painéis solares diretamente à rede elétrica, o que deverá inaugurar uma nova etapa no aproveitamento da energia solar no país.
O conversor eletrônico de potência trifásico tem um grau de eficiência de 85%. Os primeiros testes foram realizados entre dezembro e janeiro no Laboratório de Hidrogênio (LH2) da Unicamp, onde já funciona uma planta-piloto de geradores alternativos conectada à rede da CPFL Paulista.
De acordo com Ernesto Ruppert Filho, que desenvolveu o conversor juntamente com seu colega Marcelo Gradella Villalva, não se tem notícia até o momento de nenhum outro conversor eletrônico similar no Brasil.
Substituição de importações
O protótipo foi testado com êxito numa instalação de painéis solares com capacidade de 7,5 kW. "Este conversor substituiu plenamente, durante o período de testes, os três conversores eletrônicos monofásicos adquiridos da empresa alemã SMA, que estão atualmente ligados a esses painéis solares", afirmou o professor.
Diante dos resultados promissores, o próximo passo é buscar parceiros interessados na industrialização do conversor.
Ainda que o protótipo tenha consumido R$ 15 mil, os pesquisadores calculam que, em escala industrial de produção, o conversor poderá alcançar um custo final aproximado de R$ 10 mil.
"Existem alguns componentes que poderiam custar muito menos, caso já estivéssemos em escala industrial. Se compararmos o custo final de R$ 10 mil com o custo do conversor importado, isso significa uma redução de um terço. É realmente muito vantajoso nacionalizar essa tecnologia," assegurou o pesquisador.
Conversor de potência
Villalva explica que todas as fontes renováveis de energia necessitam de algum tipo de conversor eletrônico de potência para permitir o aproveitamento adequado da energia elétrica produzida.
Os painéis solares fotovoltaicos geram energia elétrica na forma de corrente contínua, diferente da rede elétrica, que possui corrente alternada. O papel do conversor é transformar a corrente da forma contínua para a alternada.
Não existem equipamentos nacionais com esta finalidade para uso com painéis fotovoltaicos, o que causa uma dependência de tecnologia importada, como é o caso dos conversores alemães instalados no LH2. "Por este motivo resolvemos desenvolver um equipamento nacional. Atingimos a eficiência de 85%, no entanto o objetivo agora é chegar aos 90% para alcançar a tecnologia alemã," diz Villalva.
Entraves para a energia solar
Além do elevado custo dos painéis solares fotovoltaicos, ainda não se criou no Brasil a cultura da geração distribuída de energia. "Isso não foi ainda devidamente regulamentado para pequenos produtores," afirma o pesquisador. Nos países mais avançados é possível ter em casa um painel solar e um conversor eletrônico gerando energia junto com a rede elétrica.
A tendência mundial aponta para o uso de geradores alternativos - sejam solares, a células de combustível ou mesmo biogás - em escala residencial. O eventual excesso de energia gerada, depois de suprida a demanda da própria residência, poderá ser comercializada com as concessionárias de energia.
O conversor agora fabricado na Unicamp oferece o suporte tecnológico para que essa realidade possa começar a ser construída no Brasil. "Se não tivermos um produto próprio com tecnologia nacional, vamos continuar importando dos Estados Unidos e da Alemanha. Portanto, o gargalo está na tecnologia cara dos painéis, na inexistência de um mercado que force o barateamento dessa tecnologia no país e, por último, a ausência de tecnologia nacional de conversores eletrônicos." garantiu Villalva.
Painéis solares já conectados à rede elétrica, instalados no Laboratório de Hidrogênio (LH2) da Unicamp.
Matriz energética limpa
Além disso, o pesquisador menciona a necessidade de uma política de incentivo às fontes alternativas de energia. Há diversos projetos de lei tramitando no Legislativo a esse respeito. Quando realmente aprovados, o Brasil terá condições de se tornar um país com uma matriz energética inteiramente à base de energia limpa.
"No estado atual, isso não existe. Existem pequenos projetos, porém isolados. Não há uma massificação da energia alternativa limpa e isso é uma coisa desejável porque dispomos de muito sol e vento", disse. A energia eólica no Brasil tampouco depende apenas do vento.
Em nível mundial, a líder em tecnologia na área de energia solar é a Alemanha, onde já estão instalados 6.500 MW de geração fotovoltaica, o que significa metade da energia produzida pela hidrelétrica de Itaipu. Com níveis de irradiação solar superiores aos da Alemanha, o Brasil ainda tem uma geração de energia solar praticamente desprezível em sua matriz energética.
O fato de ter energia hidráulica em abundância também tem contribuído muito para a falta de investimentos em usinas de geração solar e energia eólica. Em termos de meio ambiente, contudo, a energia solar é claramente superior. A hidroeletricidade, mesmo considerada limpa, inunda grandes áreas agricultáveis e tem forte impacto sobre as populações locais.
Geração distribuída de energia
Ruppert afirma que, na Europa e nos Estados Unidos, a utilização de geradores de energia elétrica conectados à rede secundária de distribuição por pequenos consumidores individuais já é uma realidade.
A tecnologia de pequenos conversores para painéis solares fotovoltaicos é amplamente empregada e divulgada nesses países. Consumidores são incentivados e subsidiados por agências governamentais para a instalação de sistemas de geração residenciais conectados à rede elétrica.
Painéis solares e conversores eletrônicos para a conexão com a rede são produtos facilmente encontrados no comércio e acessíveis ao grande público nos países desenvolvidos.
Além das vantagens para o usuário, que passa a gerar sua própria energia, módulos fotovoltaicos com pequenos conversores eletrônicos de potência descentralizam o processamento da energia, diminuem custos e reduzem o risco de todo o sistema elétrico.
Integração dos painéis solares nos edifícios
Pequenos conjuntos de geradores fotovoltaicos podem ser instalados em qualquer ambiente em que haja incidência de raios solares, sem demandar áreas específicas, podendo ocupar telhados ou paredes.
"A integração dos painéis solares com a arquitetura predial é hoje uma prática comum e que rende bons resultados estéticos, ambientais e econômicos, pela energia elétrica gerada e pela redução dos custos de construção. Os módulos fotovoltaicos podem ser utilizados como elementos de acabamento arquitetônico, tornando seu uso ainda mais interessante", disse Ruppert.
Esses módulos podem ser instalados em quaisquer tipos de construções, como residências, condomínios, escolas, creches, hospitais e outros locais públicos, uma vez que não há grandes restrições de espaço para instalação e não há emissão de ruídos, resíduos, ou qualquer tipo de poluição.
No caso brasileiro, o professor aponta que o melhor aproveitamento da energia solar depende basicamente de dois fatores. Primeiro, da regulamentação e da atitude do governo para abraçar a geração fotovoltaica. E, segundo, do interesse da iniciativa privada em fazer os investimentos.
Fonte: Jornal da Unicamp - 10/03/2010
Energia Eólica - R$ 1 bi no Rio Grande do Norte
CPFL fará aporte de R$ 1 bi no Rio Grande do Norte
Os investimentos contarão com sete parques eólicos com capacidade instalada de 188 megawatts (MW). A conclusão deve ser concretizada até o início de 2012.
A diretoria da empresa paulista de energia, presidida por Wilson Ferreira Júnior, reuniu-se ontem (5) com Iberê Ferreira de Souza, vice-governador do Rio Grande do Norte, e Jean Paul Prates, secretário de Energia e Assuntos Internacionais, para iniciar as tratativas relacionadas com a instalação do Parque Eólico Santa Clara, no município de Parazinho, e de uma usina térmica a biomassa em Baía Formosa (que usará cana-de-açúcar como matéria-prima).
Os investimentos devem ultrapassar R$ 1 bilhão, segundo o governo do estado. Durante a reunião, Paulo Cesar Tavares, vice-presidente de gestão eólica da CPFL, acrescentou que a empresa tem projetos em todo o país, mas o Rio Grande do Norte é hoje o estado que mais apoia e dá estrutura para viabilizar a implantação desses empreendimentos.
O projeto de energia eólica será constituído por sete parques eólicos com capacidade instalada de 188 megawatts (MW) e prazo de conclusão no início de 2012, com investimentos estimados em R$ 883 milhões.
Até abril, o termo de acordo assinado antes do leilão para a aquisição dos aerogeradores será convertido em contrato definitivo de compra. Ao todo, serão adquiridos 94 aerogeradores do modelo E82-2,0 MW da Wobben, subsidiária da multinacional alemã Enercon.
A usina de biomassa, que receberá recursos de R$ 127 milhões, será concluída em 2011 e adicionará 25 MW à potência instalada de geração do estado. Quando estiver operando, a previsão é de que a usina gere uma receita de aproximadamente R$ 24 milhões por ano.
O vice-governador Ferreira de Souza acredita que até 2012 o estado terá capacidade de gerar o dobro da energia que consome atualmente
Priscila Machado(pmachado@brasileconomico.com.br)
Fonte: www.brasileconomico.com.br
Os investimentos contarão com sete parques eólicos com capacidade instalada de 188 megawatts (MW). A conclusão deve ser concretizada até o início de 2012.A diretoria da empresa paulista de energia, presidida por Wilson Ferreira Júnior, reuniu-se ontem (5) com Iberê Ferreira de Souza, vice-governador do Rio Grande do Norte, e Jean Paul Prates, secretário de Energia e Assuntos Internacionais, para iniciar as tratativas relacionadas com a instalação do Parque Eólico Santa Clara, no município de Parazinho, e de uma usina térmica a biomassa em Baía Formosa (que usará cana-de-açúcar como matéria-prima).
Os investimentos devem ultrapassar R$ 1 bilhão, segundo o governo do estado. Durante a reunião, Paulo Cesar Tavares, vice-presidente de gestão eólica da CPFL, acrescentou que a empresa tem projetos em todo o país, mas o Rio Grande do Norte é hoje o estado que mais apoia e dá estrutura para viabilizar a implantação desses empreendimentos.
O projeto de energia eólica será constituído por sete parques eólicos com capacidade instalada de 188 megawatts (MW) e prazo de conclusão no início de 2012, com investimentos estimados em R$ 883 milhões.
Até abril, o termo de acordo assinado antes do leilão para a aquisição dos aerogeradores será convertido em contrato definitivo de compra. Ao todo, serão adquiridos 94 aerogeradores do modelo E82-2,0 MW da Wobben, subsidiária da multinacional alemã Enercon.
A usina de biomassa, que receberá recursos de R$ 127 milhões, será concluída em 2011 e adicionará 25 MW à potência instalada de geração do estado. Quando estiver operando, a previsão é de que a usina gere uma receita de aproximadamente R$ 24 milhões por ano.
O vice-governador Ferreira de Souza acredita que até 2012 o estado terá capacidade de gerar o dobro da energia que consome atualmente
Priscila Machado(pmachado@brasileconomico.com.br)
Fonte: www.brasileconomico.com.br
sábado, 6 de março de 2010
IEF diz que etanol de cana-de-açúcar é o único aceitável
O produto brasileiro seria o primeiro desse tipo de biocombustîvel a não representar problemas

Relatório produzido pelo Fórum Internacional de Energia (IEF, na sigla em inglês) classifica o etanol brasileiro, produzido a partir da cana-de-açúcar, como "o único biocombustível de primeira geração que não apresenta problemas". Segundo o documento, "para evitar erros em investimentos econômicos que também provoquem custos ambientais significativos, existe uma necessidade urgente de se rever as políticas existentes para biocombustíveis e suas metas em um contexto internacional".
O relatório alerta que fixar metas ambiciosas sem se assegurar da sustentabilidade de obtê-las, como foi o caso para a maioria dos biocombustíveis de primeira geração, pode gerar incertezas de abastecimento. O documento também examina o atual estado da produção de biocombustíveis e oferece recomendação aos legisladores sobre a melhor maneira de seguir em frente com a produção e distribuição de biocombustíveis.
Os autores do relatório reconhecem o papel potencial dos biocombustíveis na contribuição para a segurança e proteção ambiental e climática. Porém, eles são críticos em relação a maioria dos biocombustíveis de primeira geração. Com exceção do etanol de cana feito no Brasil, eles criticam a maioria dos biocombustíveis de primeira geração que oferecem "apenas benefícios marginais para a segurança energética e a redução das emissões de gases de efeito estufa além de promoverem insegurança alimentar".
Já sobre o etanol de cana do Brasil há um consenso de que é o único biocombustível aceitável à medida que sua expansão futura evitará áreas que poderão levantar questões sobre uso direto e indireto de terras.
O IEF é o mais abrangente fórum de ministérios de energia do mundo, incluindo não apenas países desenvolvidos e membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), mas também participantes como Brasil, China, Índia, México, Rússia e África do Sul.
Fonte: http://portalexame.abril.com.br/meio-ambiente-e-energia/noticias/ief-diz-etanol-cana-de-acucar-unico-aceitavel-538287.html

Relatório produzido pelo Fórum Internacional de Energia (IEF, na sigla em inglês) classifica o etanol brasileiro, produzido a partir da cana-de-açúcar, como "o único biocombustível de primeira geração que não apresenta problemas". Segundo o documento, "para evitar erros em investimentos econômicos que também provoquem custos ambientais significativos, existe uma necessidade urgente de se rever as políticas existentes para biocombustíveis e suas metas em um contexto internacional".
O relatório alerta que fixar metas ambiciosas sem se assegurar da sustentabilidade de obtê-las, como foi o caso para a maioria dos biocombustíveis de primeira geração, pode gerar incertezas de abastecimento. O documento também examina o atual estado da produção de biocombustíveis e oferece recomendação aos legisladores sobre a melhor maneira de seguir em frente com a produção e distribuição de biocombustíveis.
Os autores do relatório reconhecem o papel potencial dos biocombustíveis na contribuição para a segurança e proteção ambiental e climática. Porém, eles são críticos em relação a maioria dos biocombustíveis de primeira geração. Com exceção do etanol de cana feito no Brasil, eles criticam a maioria dos biocombustíveis de primeira geração que oferecem "apenas benefícios marginais para a segurança energética e a redução das emissões de gases de efeito estufa além de promoverem insegurança alimentar".
Já sobre o etanol de cana do Brasil há um consenso de que é o único biocombustível aceitável à medida que sua expansão futura evitará áreas que poderão levantar questões sobre uso direto e indireto de terras.
O IEF é o mais abrangente fórum de ministérios de energia do mundo, incluindo não apenas países desenvolvidos e membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), mas também participantes como Brasil, China, Índia, México, Rússia e África do Sul.
Fonte: http://portalexame.abril.com.br/meio-ambiente-e-energia/noticias/ief-diz-etanol-cana-de-acucar-unico-aceitavel-538287.html
quinta-feira, 4 de março de 2010
Etanol - combustível verde
Quando ouvimos comentários ou lemos reportagens sobre o Etanol brasileiro, sempre há boas referências sobre sua eficiência energética e baixo impacto causado ao meio ambiente, principalmente pela baixa emissão de poluentes e gases do efeito estufa na sua combustão.Tudo isso tornaria o etanol um combustível sustentável se não fosse pelo altos preços, o que o torna uma segunda opção atrás da gasolina.
Quando falamos em produtos ou serviços sustentáveis, partimos dos príncipios básicos da sustentabilidade: ambientalmente correto, socialmente justo e economicamente viável.
Vendo ultimante os altos preços do etanol para o consumidor, podemos afirmar que este tão admirado combustível não poderei ser sustentável. Para que isso se tornasse realidade, o produto deveria ser economicamente viável e justamente acessível aos consumidores (não somente "barato" na sua produção), através de políticas as quais difiniriam estoques reguladores e/ou controlariam diretamente a produção açúcar/álcool de acordo com os investimentos públicos (BNDES) no setor sucroalcooleiro. Neste ponto, o governo deveria exigir uma produção mínima de álcool proporcional a porcentagem de investimento que o usineiro recebeu do BNDES, permitindo uma oferta ideal do combustível ao mercador e consequentemente controlando seu preço. Isto não permitiria, por exemplo, uma grande produção de açúcar para atender mercado externo. Priorizaria o nosso mercado e o preço justo aos nossos consumidores.Enquanto não hover uma política séria que busque retorno sobre todo o investimento público no setor de açúcar e álcool, vamos continuar pagando o preço absurdo por este combustível que além de verde, deveria ser sustentável.
Domenico Machado
Resposta do Sr. Deputado Federal Antonio Carlos Mendes Thame
Prezado Sr. Domenico Machado,
Agradeço a manifestação de seu interesse e a colaboração contida em seu e-mail relativamente às sugestões sobre política de preços, de estoques mínimos reguladores e de contrapartida a financiamento do investimento na produção sucro-alcooleira.
Farei chegar à representação do setor empresarial suas sugestões, para avaliação das medidas possíveis de serem tomadas sob forma de políticas públicas. Também irei solicitar à Consultoria técnica da Câmara dos Deputados a análise dos temas abordados em seu e-mail, visando identificar medidas legislativas possíveis de encaminhamento no Legislativo.
Atenciosamente,
Antonio Carlos Mendes Thame
Deputado Federal
PSDB/SP
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